domingo, 11 de janeiro de 2015

Caronte


    Na mitologia grega, Caronte (em grego antigo: Χάρων, transl. Kháron) é o barqueiro do Hades, que carrega as almas dos recém-mortos sobre as águas dos rios Estige e Aqueronte, que dividiam o mundo dos vivos do mundo dos mortos. Uma moeda ou duas para pagá-lo pelo trajeto, geralmente um óbolo ou danake, era por vezes colocado dentro ou sobre a boca dos cadáveres ou sobre seus olhos, de acordo com a tradição funerária da Grécia Antiga. Segundo alguns autores, aqueles que não tinham condições de pagar a quantia, ou aqueles cujos corpos não haviam sido enterrados, tinham de vagar pelas margens por cem anos. No mitema da catábase, alguns heróis - como Héracles, Orfeu, Enéas, Dioniso e Psiquê - conseguem viajar até o mundo inferior e retornar, ainda vivos, trazidos pela barca de Caronte.
Era filho de Nix, a Noite.

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Personagem de Halloween - Caronte, o barqueiro do inferno
Esse ano não será um conto! Falarei sobre um personagem que tem a cara do Halloween e que eu gosto muito por ser de uma cultura Grega. Espero que gostem!
Na antiga Grécia existia um rio chamado Aqueronte, cujas águas turbulentas, negras e salobras delimitavam a região do inferno.

Infelizmente todos que morriam precisavam passar por esse rio para chegar ao mundo subterrâneo caso contrário ficaria vagando pela Terra o que era muito doloroso para qualquer alma. Por conta das águas traiçoeiras, ninguém se atrevia a atravessar o rio sem auxilio e para isso existia uma figura lendária da mitologia que fascina até hoje por sua personalidade sombria.
Caronte era seu nome, um barqueiro velho e esquálido, mas forte e vigoroso, que tinha como função ajudar as ala nessa travessia para o outro lado do rio. Porém, só transportava as que haviam recebido o devido sepultamento e ainda cobrava pela travessia, daí o costume de se colocar duas moedas de ouro cobrindo os olhos dos defuntos.

O barqueiro do inferno - como era chamado - recebia em seu barco pessoas de todas as espécies, heróis magnânimos, jovens e virgens, tão numerosos quanto às folhas do outono ou os bandos de ave que voam para o sul quando se aproxima o inverno. O velho não parava nunca e ainda sobravam almas aos montes na margem do rio implorando pela travessia. Todos se aglomeravam querendo passar, ansiosos por chegarem à margem oposta, mas o severo barqueiro somente levava aqueles do qual ele escolhia, empurrando o restante para trás. Ele precisava ser severo, não dava desconto e não fazia fiado, ali era questão de morte apenas.

O velho Caronte sempre irredutível concordava apenas com o embarque das almas para as quais os vivos haviam celebrado as devidas cerimônias fúnebres, enquanto as demais, não podiam atravessar o rio, pois estavam condenadas a vagar pela margem do Aqueronte durante cem anos, para cima e para baixo, até que depois de decorrido esse tempo elas finalmente pudessem ser levadas, mas isso ainda assim dependia da bondade do velho, o que não lhe era peculiar.
Então a grande questão hoje é: E se de fato existir um barqueiro que nos leva para o outro lado, você irá arriscar ser sepultado sem as malditas moedas?
Texto
Roseli Bassiquette
 

Centauro Quíron

   Quíron (em grego: Χείρων, transl. Kheíron, "mão" ), na mitologia grega, era um centauro, considerado superior por seus próprios pares. Ao contrário do resto dos centauros que, como os sátiros, eram notórios por serem bebedores contumazes e indisciplinados, delinqüentes sem cultura e propensos à violência quando ébrios, Quíron era inteligente, civilizado e bondoso, e célebre por seu conhecimento e habilidade com a medicina.

De acordo com um mito arcaico foi criado por Cronos (Saturno, para os romanos), que, depois de ter assumido a forma de um cavalo para se esconder de sua esposa, Reia, engravidou a ninfa Filira. A linhagem de Quíron também era diferente dos outros centauros, que eram filhos do Sol e das nuvens de chuva; os gregos do período clássico consideravam-nos frutos da união entre o rei Íxion, atado permanentemente a um disco de fogo no Tártaro, e Nefele ("nuvem"), que Zeus teria criado à forma e semelhança de Hera.

Abandonado, Quíron foi encontrado por Apolo, que o criou como pai adotivo e lhe ensinou todos os seus conhecimentos: artes, música, poesia, ética, filosofia, artes divinatórias e profecias, terapias curativas e ciência. Tradicionalmente habitava o Monte Pelião. Ali se casou com Cariclo, também uma ninfa, que lhe deu três filhas: Hipe (Melanipe ou Euípe), Endeis e Ocírroe, além de um filho, Caristo. Grande curandeiro, astrólogo e um respeitado oráculo, Quíron era tido como o último dos centauros, e altamente reverenciado como professor e tutor. Entre seus pupilos estavam diversos heróis, como Asclépio, Aristeu, Ajax, Enéas, Actéon, Ceneu, Teseu, Aquiles, Jasão, Peleu, Télamon, Héracles, Oileu, Fênix, e em algumas versões do mito, Dioniso.

Sua nobreza também se reflete na história que narra sua morte: Quíron teria sacrificado sua vida, permitindo assim que a humanidade obtivesse o uso do fogo. Isto ocorreu durante a visita de Héracles à caverna de Folo, no Monte Pélion, na Tessália, enquanto visitava seu amigo, durante o quarto de seus doze trabalhos, no qual derrotou o Javali de Erimanto. Enquanto estavam fazendo uma refeição, Héracles pediu vinho, para acompanhar a comida. Folo, que comia sua comida crua, estranhou. Ele havia recebido do deus Dioniso uma jarra de um vinho sagrado anteriormente, que deveria ser conservado para o resto dos centauros até que fosse a hora certa de ser aberto. Diante do pedido de Héracles, Folo sentiu-se constrangido em oferecer o vinho santo. O herói o agarrou de suas mãos e o abriu, deixando que seus vapores e aromas saíssem da garrafa e intoxicassem os centauros, liderados por Nesso, que estavam reunidos do lado de fora da caverna e passaram imediatamente a arremessar pedras e galhos. Héracles disparou diversas flechas envenenadas contra eles, para afastá-los. Uma delas atingiu Quíron na coxa. Já Folo saiu do fundo da caverna, onde havia se refugiado, para observar a destruição, e, ao puxar uma das flechas do corpo de um dos centauros, perguntou-se como podia uma coisa tão pequena causar tanta morte e destruição. Ao dizer isso, deixou a flecha cair de sua mão sobre o seu casco, o que o matou instantaneamente.

A flecha não matou Quíron, pois, sendo filho de um titã, era imortal, porém provocou-lhe dores terríveis e incessantes. Coube assim a Héracles fazer um acordo com Zeus, trocando a imortalidade de Quíron pela vida de Prometeu, que roubara o fogo dos deuses e o dera aos homens e, por isso, fora condenado a padecer eternamente, amarrado a um rochedo enquanto um pássaro devorava seu fígado, que voltava a crescer no dia seguinte. Zeus, que afirmara que só o libertaria se um imortal abrisse mão de sua imortalidade e fosse para o Hades, o reino dos mortos, em seu lugar, concordou, liberando Quíron de seu sofrimento, para morrer tranquilamente. O deus o homenageou, colocando-o no céu como a constelação que chamamos de Sagitário (do latim sagitta, "flecha").

Quíron salvou a vida de Peleu quando Acasto tentou matá-lo, roubando sua espada e deixando-o dentro de uma mata, para ser morto pelos centauros. Quíron teria retornado a espada a Peleu. Algumas fontes especulam que Quíron seria originalmente um deus exclusivo da Tessália, posteriormente absorvido pelo panteão grego na forma de um centauro.
Aquiles - quando sua mãe, Tétis, abandonou seu lar e retornou às nereidas, Peleu trouxe seu filho Aquiles para Quíron, que o recebeu como discípulo e o alimentou com as entranhas de leões e javalis, e o tutano de lobas.
Actéon - criado por Quíron para ser um caçador, celebrizou-se por sua morte terrível: depois de ter sido transformado em um cervo pela deusa Ártemis, foi devorado por seus próprios cães que haviam entrado na caverna de Quíron procurando por seu dono.

Aristeu - teriam sido as Musas que, de acordo com algumas versões da lenda, teriam ensinado a Aristeu as artes da cura e da profecia. Aristeu descobriu o mel e as azeitonas. Após a morte de seu filho, Actéon, migrou para a Sardenha.
Asclépio - a célebre medicina de Asclépio (Esculápio para os romanos) fundamentou-se nos ensinamentos de Quíron. Apolo matou a mãe de Asclépio, Corônis, enquanto esta ainda estava grávida, porém retirou a criança da pira funerária, entregando-a ao centauro, que a criou e lhe ensinou as artes da cura e da caça.
Jasão - seu pai, Esão, entregou-lhe o célebre capitão dos argonautas Quíron para que o criasse quando foi deposto pelo rei Pélias.
Medeu - filho de Medeia com Jasão (ou, segundo alguns, Egeu), que deu o nome ao país dos medos, morto numa campanha militar contra os indianos.

Pátroclo - seu pai deixou-o na caverna de Quíron para estudar, juntamente com Aquiles, os acordes da harpa, aprender a arremessar lanças e cavalgar.
Peleu - pai de Aquiles, foi, certa vez, resgatado por Quíron: Acasto, filho de Pélias, purificou Peleu por ter matado, inadvertidamente, seu sogro, Êurites. A esposa de Acasto, no entanto, Astidâmia, apaixonou-se por Peleu; ao perceber que não era correspondida, passou a tramar contra ele, acusando-o, pelas costas, de tentar estuprá-la. Acasto, sem poder matar o homem que acabara de purificar, levou-o para uma caçada no Monte Pélion; à noite, quando Peleu adormeceu, abandonou-o e escondeu sua espada. Ao despertar, os centauros haviam cercado seu acampamento e o teriam matado não fosse a intervenção providencial de Quíron, que também lhe devolveu a espada após procurar e encontrá-la. Quíron promoveu então o casamento de Peleu com Tétis, criando Aquiles por ela.

Também indicou a Peleu como conquistar a nereide que, sempre mudando sua forma, conseguia evitar que ele a capturasse. Em outras lendas, teria sido Proteu quem teria ajudado Peleu; quando este se casou com Tétis, ele teria recebido de Quíron uma lança de carvalho, que Aquiles levou para a Guerra de Troia, com a qual Aquiles curou Télefo ao remover a ferrugem.

Centauros


   Na mitologia grega, o centauro (em grego Κένταυρος Kentauros, "matador de touros", plural Κένταυρι Kentauri; em latim Centaurus/Centauri) é uma criatura com cabeça, braços e dorso de um ser humano e com corpo e pernas de cavalo.
Os centauros viviam nas montanhas de Tessália e repartiam-se em duas famílias:
Os filhos de Íxion e Nefele, que simbolizavam a força bruta, insensata e cega. Viviam originalmente nas montanhas da Tessália e alimentavam-se de carne crua. 

Alternativamente, consideravam-se filhos de Kentauros (o filho de Íxion e Nefele) e algumas éguas magnésias, ou de Apolo e Hebe. Conta-se que Íxion planejava manter relações sexuais com Hera, mas Zeus, seu marido, evitou-o modelando uma nuvem (nefele, em grego) com a forma de Hera. Posto que Íxion é normalmente considerado o ancestral dos centauros, pode se fazer referência a eles poeticamente como Ixiónidas.

Os filhos de Filira e Cronos, dentre os quais o mais célebre era Quíron, amigo de Héracles, representavam, ao contrário, a força aliada à bondade, a serviço dos bons combates.
Os centauros são muito conhecidos pela luta que mantiveram com os Lápitas, provocada pelo seu intento de raptar Hipodâmia no dia da sua boda com Pirítoo, rei dos Lápitas e também filho de Íxion. A discussão entre estes primos é uma metáfora do conflito entre os baixos instintos e o comportamento civilizado na humanidade. Teseu, herói e fundador de cidades, que estava presente, inclinou a balança para o lado da ordem certa das coisas e ajudou Pirítoo. Os centauros foram expulsos da Tessália e foram habitar o Épiro. 



A mais famosa lenda grega sobre os centauros conta sobre a batalha dos Lápitas e Centauros. Conforme o relato, Enomau, o rei de Pisa, era pai de uma bela princesa chamada Hipodamia, a quem havia prometido sua mão em casamento para aquele que conseguisse derrotá-lo em uma corrida de carros. Após vencer e matar vários oponentes, o rei foi trapaceado por Pirítoo, que conseguiu vencer a corrida após o cocheiro Mirtilo ter danificado as rodas do carro real.

Na organização da festa de casamento, vários centauros foram convidados para participar do evento que consagraria a união entre Pirítoo e a belíssima princesa Hipodamia. Contudo, durante a celebração, o centauro Eurítion ficou embriagado e tentou violentar a princesa. Seguidamente, outros centauros também tentaram fazer o mesmo, dando início a um grande conflito contra os humanos. As criaturas que sobreviveram ao conflito saíram em debandada da região da Tessália.

Na interpretação das alegorias mitológicas, o centauro tem a importante capacidade de salientar o conflito entre a razão e a emoção. Sendo a parte superior de seu corpo humana, teria a capacidade de refletir sobre os seus atos. Em oposição a essa característica racional, a parte inferior de seu corpo representaria a violência física e os impulsos sexuais.
Cenas da batalha entre os Lápitas e os centauros foram esculpidas em baixos relevos no friso do Partenão, que estava dedicado à deusa da sabedoria, Atena. Mais tarde, Héracles (Hércules) exterminou quase todos.

Ortros

   Ortro ou Ortros era um cão bicéfalo da mitologia grega. Considerado o cão de guarda mais feroz da antiguidade, sua cauda era uma serpente. Sua mãe, Equidna, era uma mulher-serpente e seu pai, Tifão, possuía cabeça de cavalo. Ortro era irmão do cão Cérbero, que guardava o Tártaro.

Ortro era mascote de Gerião, gigante de três corpos, seis asas e seis braços, pastor de um dos maiores e melhores rebanhos de toda a África. Ortro vigiava seu gado, na ilha de Erítia, onde Héracles o matou, para cumprir o seu décimo trabalho.

Há quem diga que o dono original de Ortro foi Atlas, o titã que carregava o Céu nos ombros.
Conta-se que depois de ter sido morto por Héracles, Ortro ascendeu aos céus e transformou-se na estrela Sirius (Estrela do Cão), que é a estrela mais brilhante do céu noturno.

Tifão

    Hesíodo descreve-o assim:

"As vigorosas mãos desse gigante trabalhavam sem descanso, e os seus pés eram infatigáveis; sobre os ombros, erguiam-se as cem cabeças de um medonho dragão, e de cada uma se projetava uma língua negra; dos olhos das monstruosas cabeças jorrava uma chama brilhante; espantosas de ver, proferiam mil sons inexplicáveis e, por vezes, tão agudos que os próprios deuses não conseguiam ouvi-los; ora o poderoso mugido de um touro selvagem, ora o rugido de um leão feroz ; muitas vezes — ó prodígio! — o ladrar de um cão, ou os clamores penetrantes de que ressoavam as altas montanhas."

Gaia, a Terra, para vingar a derrota de seus filhos pelos crônidas na Titanomaquia, uniu-se a Tártaro e gerando Tifão, identificado como a personificação do terremoto e dos ventos fortes. Morava numa gruta, cuja atmosfera envenenava com vapores tóxicos.
Era tão grande que sua cabeça tocava os astros celestes e suas mãos iam do Oriente ao Ocidente. Suas asas abertas podia tapar o Sol, dos seus ombros saiam Dragões, 50 de cada ombro no total 100. Ele era tão horrendo que todos o rejeitavam, até seus irmãos, os titãs. De sua boca cuspia fogo em torrentes, e lançava rochas incandescentes aos céus.

A fim de dar cabo à vingança materna, Tifão começou a escalar o Monte Olimpo provocando a fuga dos seus moradores todos; os deuses se metamorfosearam em animais e fugiram para o Egito (razão pela qual, segundo os gregos, esse povo dava aos seus deuses configurações zoomórficas) . Apolo tornou-se um falcão (Hórus), Hermes um íbis (Thoth), Ares um leão (Onúris), Ártemis uma gata (Neith ou Bastet), Dioniso um bode (Osíris ou Arsafes), Héracles um cervo, Hefesto um boi (Ptah) e Leto um musaranho (Wadjet). Apenas Atena teve coragem de permanecer na forma humana.

Do Egito Zeus veio a se refugiar no Monte Cássio, na Síria, local em que enfrentou o gigantesco inimigo. Dali atingia Tifão com seus raios mas este consegue derrubá-lo e, com uma harpe, cortou-lhe os músculos dos membros e deles fazendo um pacote que guardou numa pele de urso. Os raios e os membros amputados foram confiados a Delfim - um dragão - no antro córciro, na Cilícia.
No ataque Tifão invocara todos os dragões que, tantos eram, escureceram o dia. Tendo perdido seus raios Zeus propusera a Cadmo que, disfarçando-se em pastor, fizesse uma choupana e, com o som de sua flauta, atraísse o monstro. Nonos assim registra o episódio: "Canta, disse-lhe ele, Cadmo; tornarás a dar aos céus a primitiva serenidade. Tifão arrebatou-me o raio; só me resta a égide; mas de que pode valer-me contra as poderosas chamas dos raios? Sê pastor por um dia e sirva a tua flauta para devolver o império ao eterno pastor do mundo. Os teus serviços não ficarão sem prêmio; serás o reparador da harmonia do universo e a bela Harmonia, filha de Marte e de Vênus, será tua esposa."

atraído pela música, Tifão se aproxima; Cadmo (noutros mitos teria sido Hermes) finge estar assustado com os raios e o monstro, para acalmá-lo, deixa os relâmpagos numa caverna onde Zeus, fazendo baixar uma nuvem para não ser percebido, recupera suas armas e músculos.

De posse novamente de seus poderes, Zeus força Tifão a fugir para o monte Nisa onde as Parcas dão-lhe de comer, pois estava esfomeado, frutos que lhe diminuem a força. Ainda em fuga chega à Trácia onde pelo tanto do sangue derramado deu nome ao monte Hemos.
Ainda perseguido, vai Tifão para a Sicília e depois Itália onde Zeus, concentrando todas as forças, fulmina todas as cabeças do monstro que cai sobre a terra com estrondo, morto.

Hades, incomodado com as estranhas agitações do Etna provocadas por Tifão, saíra à superfície para ver o que ocorria, dando início assim ao episódio do rapto de Perséfone.
Cadmo, pela ajuda, fora presenteado por Zeus com a noiva Harmonia, para cujas núpcias acorreram vários deuses.
As nove filhas de Piero, rei da Macedônia desafiaram as Musas, ridicularizando a fuga dos deuses covardemente disfarçados em animais, por medo a Tifão.

Hidra de Lerna


   A Hidra de Lerna era um animal fantástico da mitologia grega, filho dos monstros Tifão e Equidna, que habitava um pântano junto ao lago de Lerna, na Argólida, hoje o que equivaleria à costa leste da região do Peloponeso. A Hidra tinha corpo de dragão e SETE cabeças de serpente (algumas versões falam em sete cabeças e outras em números muito maiores) cujo hálito era venenoso e que podiam se regenerar.

A Hidra era tão venenosa que matava os homens apenas com o seu hálito; se alguém chegasse perto dela enquanto ela estava dormindo, apenas de cheirar o seu rastro a pessoa já morria em terrível tormento.
A Hidra foi derrotada por Héracles (Hércules, na mitologia romana), em seu segundo trabalho. Inicialmente Hércules tentou esmagar as cabeças, mas a cada uma que cortava surgiam duas no lugar. Decidiu então mudar de tática e, para que as cabeças não se regenerassem, pediu ao sobrinho Jolau para que as queimasse com um tição logo após o corte, cicatrizando desta forma a ferida.Sobrou então apenas a cabeça do meio, considerada imortal. Héracles cortou e enterrou a última cabeça com uma enorme pedra. Assim, o monstro foi morto.
Segundo a tradição, o monstro foi criado por Hera para matar Héracles. Quando percebeu que Héracles iria matar a serpente, Hera enviou-lhe a ajuda de um enorme caranguejo, mas Héracles pisou-o e o animal converteu-se na constelação de caranguejo (ou Câncer).


Instruído por Atena(Minerva), Héracles, após matar a Hidra, aproveitou para banhar suas flechas no sangue do monstro, para torná-las venenosas. Euristeu não considerou este trabalho válido (Héracles deveria cumprir dez trabalhos, e não doze ), pois o heroi teve ajuda.
Héracles morreu, mais tarde, na Frígia, por causa do veneno da Hidra: após ferir mortalmente o centauro Nesso com flechas envenenadas no sangue da Hidra, este deu seu sangue a Dejanira, dizendo que era uma poção do amor, para ser usada na roupa. Dejanira acreditou, e, quando sentiu ciúmes de Íole, usou o sangue de Nesso para banhar as roupas de Héracles, que sentiu dores de queimadura insuportáveis, preferindo o suicídio na pira crematória.


O LEÃO DA NEMÉIA

    Por Abelardo Domene Pedroga
Ele abre os olhos. Ainda está sonolento. Por uma das entradas da caverna que lhe serve de morada entram os raios de Hélios, o Sol, que concede ao mundo sua luz benfazeja. Ainda lerdo, fruto de uma noite bem dormida fica a admirar a pujança dos raios dourados que se derramam sob a terra. Mais desperto ele sai da sua morada e admira a densa floresta que a cerca. Ali é seu mundo particular, sua casa, o local que ele escolheu para morar. Sua mente se volta para o lar materno. Equidna, sua mãe não gostou de ser abandonada, mas quem poderia lhe privar da liberdade, e da vida fora dos cuidados maternos? Com dor no coração a mãe o deixou partir.
 Ao sair da casa onde nasceu ele foi percorrer o mundo, curioso se embrenhou por florestas, andou por planícies enormes, seguiu o curso de rios sem fim. Enfim foi ter àquela região que chamam de Neméia. Esse nome pouco importa para ele, mas ali encontrou um excelente refúgio, uma fauna rica e diversificada que lhe serve de alimento, rios caudalosos de águas límpidas e frescas que matam sua sede.
Filho de monstros, sua pele é invulnerável, portanto nada há a temer de outros predadores, ao invés disso seu urro quando ecoa pela floresta é o sinal para que todos procurem abrigo, pois ali ele é supremo soberano.

Seu reinado é tranqüilo, totalmente ciente de sua força e invulnerabilidade. Há outros predadores que poderiam tentar lhe usurpar a supremacia na floresta, mas ante sua presença eles retiram-se. Quanto às presas elas muitas vezes se conformam com seu destino, não há esperança de escapar daquelas garras indestrutíveis que podem destruir aço e pedra. Muitas vezes antílopes e javalis ficam paralisados de medo, e deitam-se ao chão, apenas aguardando que as poderosas mandíbulas dêem cabo de suas vidas.
Ele não é imortal, mas sua vida será bem longa, seu corpo não pode ser infectado por doenças, com a pele invulnerável nunca poderá ser ferido, tendo caça e água para suas necessidades alimentares em abundância nada há a temer. Como é um leão ele vai ficar ali, não eternamente, pois não é imortal, mas por um longo tempo.

Mas nem sempre as coisas ficam do mesmo jeito. Há pouco tempo atrás à maldita raça a que Prometeu deu existência aventura-se por todo o mundo. Eles se chamam humanos e estão se espalhando por Gaia, tal qual uma praga sem controle.
Enfim chegam àquelas paragens. Em pouco tempo reclamam para si a floresta. Querem os habitantes dali como seus alimentos. Quanto à madeira das árvores pretendem usar para construir seus ninhos, suas armas, suas máquinas estranhas e barulhentas, sua civilização.
Mas ali é seu lugar, a Neméia é uma região ainda indomável, floresta virgem, rios limpos, vida exuberante, onde viceja a vida selvagem, sem inclusão dos homens.
Irritado com a intromissão humana ele reclama para si a defesa do seu lar. Confia que nada consegue feri-lo. Ataca os humanos, mata diversos deles, alguns usa como alimento. Após satisfazer sua fome devolve os restos dos cadáveres, como um aviso: isso é que espera a todos vocês caso não saiam de meu território.
Sua fama se espalha entre os humanos, diversos deles tentam o impossível, destruir a fera que mata e destroça quem se aproxima da Neméia. A pilha de cadáveres que resulta destas tentativas infrutíferas poderia erguer um gigantesco templo a Zeus, usando-se apenas os ossos resultantes da matança como material de construção.

Mas é de Zeus exatamente que surge um oponente. É Héracles, mais um dos muitos filhos bastardos do deus supremo do Olimpo.
O valoroso guerreiro serve a Euristeu, seu meio-irmão, paga pelo hediondo crime que cometeu sob a influência de Hera. O grande Héracles matou três de seus filhos. A irmã, e também esposa de Zeus não lhe dá tréguas, essa foi apenas mais uma das muitas provações pelas quais ele vai passar até ser aceito junto aos deuses do Olimpo.
Euristeu teme o irmão, e esse temor o leva a propor que Héracles cumpra doze missões. Uma delas é exatamente essa: matar o devorador de humanos, o temido e odiado Leão da Neméia.
O herói grego se aproxima da densa floresta. Seus olhos percorrem o local com atenção, enfim ele embrenha-se pela mata, e começa a andar. Muito se passou antes do encontro. Os dois olhares enfim se encontram. O leão sente que aquele não é um oponente comum, quanto a Heracles também há respeito pela fera. Não há o que esperar, o embate tem início.
De posse de sua maça o humano lança-se com fúria desmedida contra o animal, o choque titânico provoca um frenesi de destruição. Árvores tombam, pedras são despedaçadas, o rio tem suas margens agitadas. Os seres da floresta esperam pelo final do combate. A floresta fica muda apenas se escuta o barulho da luta sem trégua e sem decisão.

A arma do herói não causa nenhum tipo de ferimento na fera, com agilidade ele consegue evitar tanto as garras quanto as presas do adversário. Um dia inteiro se passa, e de repente silêncio. Eles separam-se, os olhos fixos um no outro. Os oponentes estão extenuados, o leão ruge com dificuldades, o humano respira ofegante. Hélios abandona a Terra, a decisão daquele confronto ficará para o dia seguinte.
Somente os deuses, e quiçá nem mesmo eles podem saber o resultado daquele embate. O leão retira-se, o cansado herói não se dá por vencido e o segue a distância. Enfim a fera adentra sua caverna. Héracles percebe que a caverna que serve de abrigo à fera tem duas entradas. Durante a noite o leão dorme, o herói trabalha. Com cuidado para não despertar o oponente o grego empilha diversas pedras em uma das entradas da caverna, enfim se dá por satisfeito, por ali o leão não conseguirá escapar.

Coragem nunca faltou, nem tampouco faltará ao filho de Zeus, menestréis hão de contar e cantar isso por todo o mundo. Ele se prepara para o dia seguinte, idealiza uma estratégia que lhe vai garantir a vitória.
Consegue dormir um pouco, seus sonhos mostram Héracles em triunfo diante do corpo sem vida da fera, mas Destino é um deus traiçoeiro e cruel, o imponderável pode e deve acontecer: quem tinha a certeza da vitória pode ser derrotado, e o derrotado pode erguer-se triunfante.
O dia está a clarear, é quando o grego ataca, sem temor adentra ao covil da enorme fera. A caverna é estreita, mas ele avança assim mesmo, depois de um trecho os olhos se encontram, o leão fica aturdido. Até então ninguém ousara entrar em sua toca, muito menos chegara a atacar ele ali. Mas o humano é corajoso, e usa de astúcia e inteligência.

A fera se lança contra Héracles, este usa os braços e mãos como tenazes, segura de maneira firme a garganta do adversário, usando a força descomunal e lendária que vai eternizá-lo pelo mundo afora ele começa a sufocar o leão.
Milímetro a milímetro as mãos afundam a garganta do monstro, este tenta se defender, mas Héracles o segura com força, sem muito espaço para fugir o leão percebe enfim que tal qual seu pai e muitos dos seus irmãos sua hora chegou, logo Tânatos, o da foice afiada, estará ali, e com um golpe certeiro há de lhe tirar o último fôlego.
Sem mais forças o leão ainda vê o invencível inimigo usar suas próprias garras para lhe perfurar o ventre, no futuro imediato Héracles usará a pele do inimigo como uma couraça impenetrável.
Tânatos, implacável como sempre, chega, a foice é certeira, o fio da vida que prende o leão a esta realidade é cortado e a Neméia enfim é conquistada para a raça humana.

Héracles junta a carcaça sem vida e esfolada, vai levá-la a Euristeu, prova de que cumpriu sua tarefa. No Olimpo Zeus sorri com o triunfo de seu rebento. Longe dali uma mãe se desespera. Equidna nem ao menos terá o consolo de poder enterrar o filho.
Quanto aos humanos eles olham para a floresta com o típico olhar de cobiça dos de sua raça, logo árvores serão abatidas, animais de todos os tipos encontrarão a morte. A Neméia e seus recursos enfim servem à raça criada pelos deuses, com a morte de seu defensor nada mais há que impeça a devastação.
As lendas e futuras histórias vão falar da coragem e determinação de Héracles, mas nenhuma palavra será dita sobre a desventura de um leão que apenas tentou defender seu território. Afinal foram os humanos que chegaram com sua sanha assassina, ao animal nada mais restou que enfrentar os usurpadores de seu lar, não fosse o filho de Zeus talvez tivesse conseguido preservar aquele pedaço perdido do paraíso, mas tal qual outros monstros também o leão mostrou-se impotente diante do poderoso adversário, com isso mais uma floresta, seus recursos e sua vida bela e natural foram destruídos. Mas isso, a história nunca fala....